Federações partidárias neutras na corrida presidencial reúnem 3,7 mil candidatos nas eleições
23/08/2026
(Foto: Reprodução) Federações partidárias neutras na corrida presidencial reúnem 3,7 mil candidatos nas eleições
Tribunal Superior Eleitoral/TSE
As eleições de 2026 contam com cinco federações registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Dessas, no entanto, somente uma tem um candidato à Presidência – a federação do PT, PCdoB e PV, que lançou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na busca por um quarto mandato.
A federação entre Psol e Rede apoia oficialmente a candidatura de Lula, mas as outras três federações não têm nem candidato nem declararam apoio, mantendo-se neutras na disputa eleitoral. São elas:
União Brasil e Progressistas;
PRD e Solidariedade; e
PSDB e Cidadania.
Juntas, essas três federações lançaram 3.766 candidatos em 2026. O foco principal é a disputa por cadeiras no Congresso Nacional.
Inicialmente, havia a expectativa por parte da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) de conseguir o apoio da federação União-Progressistas. O PL chegou a oferecer o espaço de vice na chapa presidencial para o Progressista. No entanto, ambos os partidos escolheram se manter neutros na disputa.
Governo Lula atuou para convencer federação PP-União Brasil a não apoiar Flávio Bolsonaro
Foco no Congresso Nacional
Considerando todos os 11 partidos federados, foram lançadas 6.381 candidaturas. Dessas, 2.430 são para o Congresso, sendo o União Brasil e Progressistas o conjunto de partidos com o maior número de candidatos:
União-PP: 519 candidatos para a Câmara e 20 para o Senado;
PT-PCdoB-PV: 487 candidatos para a Câmara e 21 para o Senado;
PRD-Solidariedade: 477 candidatos para a Câmara e 4 para o Senado;
PSDB-Cidadania: 443 candidatos para a Câmara e 11 para o Senado; e
Psol-Rede: 421 candidatos para a Câmara e 27 para o Senado.
Fachada do Congresso Nacional
Saulo Cruz/Agência Senado
A atenção de partidos para a disputa no Congresso, especialmente para a Câmara dos Deputados, diz respeito aos recursos do Fundo Partidário.
🔎Segundo a lei, 95% dos recursos do fundo são distribuídos considerando os votos obtidos na eleição para deputado federal. Os outros 5% são distribuídos igualmente entre todas as siglas que têm direito, segundo os requisitos constitucionais.
O Fundo Partidário pode ser utilizado para manter os partidos, além de financiar campanhas. Segundo dados do TSE, até julho deste ano foram distribuídos R$ 732 milhões.
Palanques mistos
Um dos interesses desses partidos ao manter a neutralidade é a disputa nos estados. Juntas, as federações neutras lançaram 23 nomes para a eleição de governador. A dupla partidária com mais candidatos é a União-PP.
Na Paraíba, por exemplo, o PT apoia e fará parte do palanque do candidato Lucas Ribeiro (PP) para o governo do estado. Assim, Lula terá uma chapa para fazer campanha para ele em solo paraibano.
No Paraná, o apoio petista à candidatura de Requião Filho (PDT) vem junto com o apoio à sua vice, Michele Caputo (Solidariedade).
À frente nas pesquisas eleitorais, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) disputam palanques de federações neutras nos estados
Divulgação
Mas os acordos não se restringem aos governos estaduais. Nacionalmente, o PT fechou acordos com candidatos para o Senado do União Brasil, em Sergipe, e do Solidariedade, em Pernambuco. Ou seja, os políticos fazem parte de chapas formais que fazem palanque para Lula nos estados.
Cenário similar acontece com Flávio Bolsonaro. O candidato à Presidência pelo PL apoia a candidatura do ex-presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira (PP) e de Marina JHC (PSDB) ao Senado por Alagoas, por exemplo.
Flávio ainda declarou apoio a candidatos do União Brasil no Ceará e em Tocantins.