Mãe de três filhos com autismo teme retrocesso com mudança no Teamarr: 'Medo de perder tudo que aprenderam'

  • 08/07/2026
(Foto: Reprodução)
Deputada diz que materiais usados no Teamarr eram de comissionados demitidos Mãe de três filhos diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista (TEA), Francinalda Conceição da Costa teme um retrocesso no desenvolvimento deles diante da incerteza sobre o Centro de Acolhimento ao Autista (Teamarr), programa mantido pela Assembleia Legislativa de Roraima (Ale-RR). A unidade foi esvaziada nesta segunda-feira (7) e deve ter mudança de profissionais e na gestão. Entenda: A sede do Teamarr foi esvaziada nesta segunda, após uma comitiva liderada pelo presidente da Ale-RR, Jorge Everton (União Brasil), ir ao local. A medida ocorreu dias após a exoneração dos servidores comissionados. Eles deixaram o prédio e retiraram materiais usados nos atendimentos. Até então, uma das responsáveis pelo programa era a deputada Ângela Águida Portella (PP), que se disse surpresa com a mudança. Francinalda é mãe de Carlos Eduardo, de 18 anos, Luiz Expedito, de 10, e Benjamin Costa, de 5. Os três eram atendidos pelo Teamarr com sessões às segundas-feiras, no período da tarde. Segundo ela, o filho mais velho participa da iniciativa desde 2021, quando o projeto ainda se chamava "Sala Azul" e funcionava em uma estrutura diferente da atual. Desde então, segundo a mãe, o atendimento especializado, com profissionais como psicólogos e pedagogos, passou a fazer parte da rotina da família e contribuiu para o desenvolvimento dos meninos. E é esse avanço que ela teme perder. "Tenho muito medo de perder tudo o que aprenderam", disse. Ela afirma que cada avanço dos filhos foi construído gradualmente, por isso a preocupação."Todos os dias eu levanto um tijolinho com cada um deles. Tenho medo de que tudo isso caia". Desde que soube do esvaziamento do prédio do programa, no bairro São Francisco, e da unidade que fica ao lado da casa dela, Francinalda aguarda com incerteza a retomada dos atendimentos prevista para o dia 27. Francidalva e os três filhos, todos atendidos no Teamarr Francidalva Costa/Arquivo pessoal Crítica à superintendente Segundo ela, nesses seis anos em que faz parte do projeto, nunca houve uma retirada de materiais e equipamentos no período de recesso. A Ale-RR, no entanto, fala em "reorganização administrativa, com o objetivo de aprimorar a estrutura e proporcionar um ambiente ainda mais acessível, acolhedor e adequado ao atendimento das crianças, adolescentes e suas famílias." A mãe participou da manifestação em frente à Assembleia nesta segunda e da reunião com a superintendente de Programas Especiais da Casa, Marília Pinto. Francinalda criticou uma declaração da gestora sobre o autismo e afirmou que a fala, ao tratar a condição como um "problema", foi capacitista. "Ela foi muito capacitista, foi muito infeliz na fala dela. Uma pessoa que não conhece sobre o autismo, que não conhece nada sobre nossos filhos, não pode querer dizer isso [que é um problema]", destacou. Capacitismo é o preconceito ou a discriminação contra pessoas com deficiência, como o TEA, baseado na ideia equivocada de que elas são inferiores, incapazes ou um "problema" por terem a condição. Procurada, a Ale-RR informou que "a manifestação atribuída à superintendente de Programas Especiais durante reunião com familiares que não houve qualquer intenção de utilizar linguagem que possa ser interpretada como preconceituosa, discriminatória ou capacitista". A instituição pontuou ainda que "o respeito às pessoas com Transtorno do Espectro Autista e às suas famílias é um princípio que orienta todas as ações desenvolvidas pelo TEAMARR. Caso a fala tenha gerado desconforto ou interpretação diversa da pretendida, a instituição lamenta o ocorrido e esclarece que esse não representa o entendimento nem os valores do programa". Possível mudança de profissionais também preocupa Além do medo de perder os avanços dos filhos, Francinalda também questiona como será a continuidade do atendimento caso novos profissionais assumam o serviço. aEla diz que a equipe que acompanhava as crianças tinha capacitação específica para trabalhar com pessoas autistas e a substituição pode afetar a qualidade do atendimento e até a rotina. "Minha preocupação não é nem não ter profissional, mas eles colocarem profissionais que não têm a competência técnica para atender pessoas com autismo, que têm todo um tratamento diferenciado, específico", resumiu. A mãe também disse temer represálias por participar das manifestações e cobrar respostas sobre o programa. Segundo ela, algumas famílias têm receio de que a exposição prejudique o acesso dos filhos ao atendimento. "Hoje eu tenho medo de cobrar o direito dos meus filhos", disse. Ao menos 750 famílias são atendidas gratuitamente pelo Teamarr, o que representa mais de mil crianças e adolescentes beneficiados. Criada em 2022, a iniciativa oferece terapias e acompanhamento contínuo para pessoas com TEA em Roraima, incluindo a aplicação da Análise do Comportamento Aplicada (ABA), método voltado ao desenvolvimento de habilidades sociais, comunicação e autonomia por meio de estratégias de reforço positivo. Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.

FONTE: https://g1.globo.com/rr/roraima/noticia/2026/07/08/mae-de-tres-filhos-com-autismo-teme-retrocesso-com-mudanca-no-teamarr-medo-de-perder-tudo-que-aprenderam.ghtml


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